Ciência


14 Ciencia

Dedico a vós, tão altiva ciência
tais versos que iluminados pela arte
se vejam afastados da demência
que nas musas gregas se faz mais que parte.

Tamanho conhecimento nunca se viu
que pudesse a ti rivalizar.
Mas tambem nunca fora tão frio
um modo racional de pensar.

Rigida como o ferro,
desenvolve-se feito vapor.
Assim que posso eu cerro
oleos e engrenagens no motor.

Magistral guia do homem
se não um de seus refugios maiores.
Fez-se, porem, de abdômen
que devorou todos os arredores.

Tornastes tão fértil terreno
mas por vezes, de conter-se, incapaz
corrompendo tal qual um veneno
os valores e sonhos que amais.

Criaram para ti dogmas vários
que insistem em negar e cuspir.
Tu buscas agora os indícios
que independem de quem deve cair.

Tornastes para alguns um alívio,
um vício e mesmo uma muleta.
Para outros cresce em santo e lívio,
religião com nova silhueta.

Suas pesquisas sempre certas
e de orgulhos mil, cheia.
Cientistas feito profetas,
Nas indústrias fazem a ceia.

O fim que buscava, esquecido.
Por alguns resgatado, mas feito risível.
Ajudar do velho ao recem-nascido
sem se julgar infalível.

Tenho, porém, fé em ti.

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