
Dedico a vós, tão altiva ciência
tais versos que iluminados pela arte
se vejam afastados da demência
que nas musas gregas se faz mais que parte.
Tamanho conhecimento nunca se viu
que pudesse a ti rivalizar.
Mas tambem nunca fora tão frio
um modo racional de pensar.
Rigida como o ferro,
desenvolve-se feito vapor.
Assim que posso eu cerro
oleos e engrenagens no motor.
Magistral guia do homem
se não um de seus refugios maiores.
Fez-se, porem, de abdômen
que devorou todos os arredores.
Tornastes tão fértil terreno
mas por vezes, de conter-se, incapaz
corrompendo tal qual um veneno
os valores e sonhos que amais.
Criaram para ti dogmas vários
que insistem em negar e cuspir.
Tu buscas agora os indícios
que independem de quem deve cair.
Tornastes para alguns um alívio,
um vício e mesmo uma muleta.
Para outros cresce em santo e lívio,
religião com nova silhueta.
Suas pesquisas sempre certas
e de orgulhos mil, cheia.
Cientistas feito profetas,
Nas indústrias fazem a ceia.
O fim que buscava, esquecido.
Por alguns resgatado, mas feito risível.
Ajudar do velho ao recem-nascido
sem se julgar infalível.
Tenho, porém, fé em ti.