
Parte I
Do punhal que enfiastes
Em meu peito ardente.
Das feridas abertas
Que sangram e pulsam
Surpreso recebi o golpe fatal
Que vinha de vossas mãos
Frias e ásperas agora
Mas que antes haviam sido
Quentes e macias
Estirado ao lado da estrada
A poeira se acumulando
Minhas feridas latejam
A dor que eu sinto
É agonizante
Vossas últimas palavras ainda ecoam
Não saem de minha cabeça
Ousei trazer-te ao meu lar
Ousei pensar que seria feliz
Levaste minha felicidade embora
Juntamente com o que restou
Do meu ser
Me doei para ti
Nada fizestes
Dancei centenas de vezes,
Me deitei centenas de vezes,
Amei centenas de vezes
O diabo. Sem nunca reparar
No par de chifres e na cauda
Nas noites frias
Melhor companheira que ti
Somente a solidão
Dentro de mim mesmo e meus pensamentos
Mas ainda estou eu a sangrar
Parado
Encostado
Custando a respirar
Me afogando em lágrimas e sangue
Ou seriam só lágrimas?
Porque choro
Se de Mefistófeles me livrei?
A garganta seca
Os olhos úmidos
O peito aberto
Marcas que ela deixou

Parte II
Tinha o diabo no corpo
Ou teu corpo o diabo tinha.
Diabretes te rodeiam
Rindo-se de vossa inumanidade
Lúgubre dia que encontrei no
Útero da maldade e em
Cima do meu âmago
Inteiramente, agora, corrompido.
Feito completamente em caos
E em escuridão se encontrava a
Raiva que guardava dentre os dentes
Das feridas bem guardadas
No fim do peito
Em que engoli vossos golpes
A traição que em minha mente existia
Mas realmente não sei se era
Assim como o lobo, me encontrei sozinho
Longe de qualquer matilha
Só eu e minha solidão
Minha solidão e eu
E não dói mais…