Ninguém mais liga para poesia

38 Ninguém mais liga para poesia

Ninguém mais liga para poesia!
Ninguém mais se importa com versos soltos!
Quando pergunto, me dizem que Itabira
é só uma foto! Na parede!

Dizem que são pedras, que insistem
em ficar atrapalhando no meio do caminho!
Outros afirmam que poesia não é nada,
nunca será nada e não pode querer ser nada!

Chamam o poeta de fingidor,
por fingir suas verdadeiras dores!
Alguns acham que é só dizer números,
e que tudo se resolve com um tango argentino!

Mas o problema deve estar comigo.
Sou muito gauche, carrego bandeira.
Cansei disso e decidi ir para outro lugar,
Pasárgada talvez.

A Jornada do Escritor (Parte 1) – Christopher Vogler

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Como cheguei a esse livro foi uma verdadeira jornada. Há algumas semanas comecei a ver um ótimo documentário sobre Star Wars, chamado “Empire of Dreams”. Nele vemos um lampejo da fonte que inspirou George Lucas a escrever “The Star Wars” e a estruturá-lo tal como o conhecemos. Lucas conta que na época soube do trabalho de um mitologista chamado Joseph Campbell, autor de livros como “The Hero with a Thousand Faces”. Campbell pesquisara em sua formação acadêmica sobre como os mitos são estruturados e quais as linhas que conectam todos os mitos através das civilizações e do tempo. O resultado dessa extensa pesquisa foi tão bem estudado e incorporado por Lucas que Campbell, após analisar a história de Star Wars a pedido do diretor e roteirista, afirmou que George fora seu melhor aluno. Mas os livros de Campbell não influenciaram apenas George Lucas. Eles também alcançaram Christopher Vogler. Segundo ele “Campbell quebrou o código secreto das histórias”.

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Black Lighting (2009)

blacklightning-1Filmes de super-heróis estão na moda. Quase todo mês tem um filme novo de algum herói norte-americano que precisa salvar o mundo usando super poderes que surgiram por alguma força da natureza, magia, dinheiro, experiências, etc… Na Rússia também, mas de uma forma diferente. Black Lightning é um filme russo de super-herói, lançado em 2009. Ao contrário da maioria dos filmes norte-americanos, o herói não ganha poderes místicos ou que o tornam meio-animal, mas sim um carro. Um carro que voa. Um carro de 1966, igual ao que o Putin usava, e que voa! Continuar lendo

Mais curtas e outras curtas!

Collage

Madame Tutli-Putli

Sem dúvida um dos curtas mais malucos que eu já vi. Basicamente acompanhamos uma mulher, carregada de diversas malas e pertences, em uma viagem de trem. O final é inesperado e acho que não mostra de uma forma clara o que realmente os roteiristas queriam fazer. É um stop-motion de Chris Lavis e Maciek Szczerbowski e que conta com uma belíssima e diversificada trilha sonora. Detalhe para os olhos dos bonecos, que achei extremamente realistas e profundos. Madame Tutli-Putli tem os olhos mais tristes possíveis.

A melhor interpretação para a história, na minha opinião, é o comentário de uma garota chamada Gabriela Muñoz, feito na página do vídeo. De acordo com ela as malas simbolizam as possessões que insistimos em carregar; os homens jogando xadrez que nunca fazem nenhuma jogada representam a indecisão e por aí vai. Como tem spoilers, não postarei o comentário aqui. Admito que caso os elementos não sejam representações metafóricas, a trama não se satisfaz e nem mesmo faz sentido.

Rain Town

“Nessa cidade, desde quando ninguém sabe, a chuva nunca parou. Os moradores mudaram-se para os subúrbios e os terrenos altos ao redor. As memórias das pessoas estão profundamente submersas. Mas nessa esquecida cidade chuvosa, algumas vezes, alguém vagueia.”

“Rain Town” é um curta feito como trabalho de graduação em algum curso da Universidade Seika de Kyoto. A animação é muito bela, com traços tão sutis e cenários tão lindos que chega a ser melancólica. A ambientação é em uma cidade abandonada e destruída, sob chuva constante e com alguns robôs abandonados que por ela ainda vagam. A trilha sonora conta com um piano cujas teclas parecem tocar ao ritmo de uma chuva suave, gotas caindo ocasionalmente. Belíssima.

Destaque para as músicas “Old Capital” e “Candle”, de Masafumi Komatsu.

Metroid: The Sky Calls

Curta-metragem independente de 2015 produzido pela Rainfall, “Metroid: The Sky Calls” é um protótipo do filme que todo jogador da série Metroid estava esperando. Para quem não conhece, Metroid foi uma saga de video-games de ficção científica que teve início com o jogo homônimo de 1986 para o velho Nintendo. Desde então já foram lançados cerca de dez jogos que trazem a mesma protagonista: Samus Aran em sua icônica armadura. A história de Samus, uma caçadora de recompensas que luta contra os Piratas Espaciais, é incrivelmente triste. Antes ela morava com os pais em uma colônia humana mas, após um ataque do bandido Ridley e dos seus Piratas, que assassinam sua família, ela foge. Após esse evento traumático, ela é adotada pela raça dos Chozo.

Samus, no curta, recebe uma mensagem dos Chozo e começa a procurá-los em um planeta inóspito. É um live-action com muitos efeitos especiais e uma animação em 3D digna dos filmes de Hollywood, trazendo ainda consigo a fidelidade aos jogos que todos os fãs da série gostariam que fosse respeitada.

Chorei

37 Chorei

Certo dia, há muito pouco tempo,
estava lendo um livro interessante.
Um personagem que eu nunca vi,
mas acompanhei por toda a vida fictícia,
morreu. E eu chorei.

Outro dia, há algum tempo,
estava assistindo a um filme.
Um personagem com quem eu nunca falei,
mas acompanhei por toda a história,
morreu. E eu chorei.

Ainda não tenho certeza
se a vida imita a arte ou se a arte imita a vida,
mas até hoje não sei se eu chorei
pelos personagens que conheci,
pelas vidas que não vivi
ou pela minha própria morte
que há de vir.

Nós, suturados

Tentei escrever um conto com menos de 1000 caracteres para entrar em um concurso literário. Fracassei na tentativa, mas fiz um conto.

 

Nós, suturados

Durante muitos anos me empenhei para entrar no curso de medicina. Dediquei bastante, mesmo antes de prestar as temidas provas de vestibular. Tive assim o apoio da família, na qual havia um ou outro médico, mas sempre primos distantes. Recebi muito incentivo do meu avô, que admirava o ofício da medicina. Quisera eu que ele ainda estivesse conosco quando, com muita felicidade, fiz minha matricula no curso de medicina. Na verdade não sabíamos se ele morrera, pois simplesmente desaparecera. Triste dia em que minha avó voltou para casa e não o encontrou. Esperou dias, semanas, meses. A polícia acreditava que ele havia apenas ido embora. Teria outra família? Não sabíamos, mas foi um triste marco para nós. Pior que a certeza da morte era essa dúvida.

No primeiro ano de medicina comecei a aprender mais sobre o corpo humano. Mas antes de aprender sobre a vida, frequentemente visitei a morte. As aulas de anatomia foram um murro no estômago, embora graças a elas eu consiga hoje dizer onde fica o estômago. Aqueles corpos abertos, mesmo para o bem da ciência, foram algo assustador no inicio. Mas, assim como tudo mais na vida, me acostumei. E até mesmo aprendi a gostar. Continuar lendo

Epitáfios N. 2

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Epitáfios N. 2 foi a primeira música que gravei com o som de órgão de tubos do meu teclado. Sei que não é um som muito encorpado, mas mesmo assim gostei. Acho que incorporei muito dos órgãos de igreja dos jogos de Castlevania. Curta e pesada, como a própria vida talvez.

Summer Wars (2009)

summer-wars-1

As redes sociais se tornaram não apenas cada vez mais presentes em nossas vidas, como muitas vezes principais meios de comunicação. A integração entre as redes ainda se mostra um desafio para as empresas fornecedoras dos serviços. A possibilidade de unificação seria uma etapa para vencer essa barreira e, sugere-se, até permitir que outros serviços, relacionados a segurança, saude e finanças, sejam integrados. O receio de que isso aconteça é por que, por exemplo: se a manutenção da saude dependesse da internet, cair a conexão não poderia ser uma possibilidade. O longa-metragem japonês Summer Wars, lançado em 2009, explora bastante esse ponto. Continuar lendo

O ancião e a vida

36 O ancião e a vida

Um ancião, aos 115 anos de idade,
me disse em um templo no topo do Himalaia:

Em minha vida, aprendi muitas coisas.
Aprendi a amar o que eu odiava,
a odiar o que eu queria,
a querer o que eu não me importava,
a não me importar com o que sofria,
a sofrer com o que me entristecia,
a entristecer com minhas dúvidas
a duvidar sempre que eu não concordar,
a concordar sempre depois de repensar,
a repensar o que eu valorizava e
a valorizar o que eu amava.

Ainda estou entendendo.

De Eça de Queiroz a Neil Gaiman

Já há muito tempo tenho a pretensão de escrever um livro. Tarefa nada fácil e que até hoje não completei… Mas não estou com pressa. Ao invés disso estou me divertindo lendo e escrevendo contos inocentes, alguns que já até publiquei aqui no blog. Pensando sobre isso, resolvi que poderia fazer resenhas dos melhores contos que lesse, a exemplo do OldNight que publicou resenhas sobre curtas. Afinal, podem os livros ser como os filmes e os contos como os curtas (se são os carros como as lanchas e as motos como os jet-skis :P). Aqui, dois contos, do realismo ao fantástico.

neil de queiroz

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