Edward Scissorhands (1990)

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Edward Scissorhands, ou Eduardo Mãos de Tesoura, é um filme de 1990 dirigido e produzido por Tim Burton. O clássico do gótico estrela um jovem Johnny Depp, Winona Ryder e Vincent Price. Típico dos anos 80/90, é um filme cheio de fumaça e sombras, tão sombrio como só Burton poderia idealizar, embora com uma grande ajuda de Caroline Thompson, escritora e produtora. Thompson foi uma das responsáveis pelo screenplay de outros filmes de Tim Burton, como Corpse Bride (A Noiva Cadáver) e The Nightmare Before Christmas (O Estranho Mundo de Jack). Continuar lendo

Anatomia (Parte II)

Atlas sobre o Axis... é o que sustenta o seu mundo.

Sustentáculo: Atlas sobre o Axis… é o que sustenta o mundo.

Confira aqui a parte I.

[…]

Com as mãos emborrachadas pelas luvas, tocou o queixo da cabeça decepada a sua frente. Ela, porém, nada fez. Nada podia fazer.

O dia transcorreu com muito estudo intercalado com pausas para o almoço, para descansar e para conversar com os amigos. O estudante retornou à pensão, ao fim do dia, da mesma forma como foi para a faculdade. Tomou um banho, jantou, estudou mais ainda e foi dormir. Com as luzes apagadas, o som baixo e indiferenciado de vizinhos conversando e cachorros latindo, fechou os olhos para dormir e lembrou-se daquele rosto dissecado. Quase podia vê-lo sorrir e então assustar-se com a atual condição. Dormiu, por fim, embalado por tais pensamentos mórbidos e contra a natureza do mundo. Continuar lendo

Anatomia (Parte I)

A medicina é para mim uma transbordante fonte de inspiração. Durante os últimos dois anos estive em contato com a anatomia, disciplina das ciências básicas do início do curso. Ao longo desse tempo tive várias ideias para contos que se ambientavam em laboratórios de anatomia e, este conto, foi o primeiro que realmente consegui escrever.

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Anatomia e Sorte: Tempo ou sorte… Quanto você ainda tem?

A ideia inicial era quase uma experiência científica: dar a um estudante da disciplina a capacidade de controlar as peças formolizadas e depois tirar tal capacidade dele para ver se ele enlouqueceria com isso. A primeira parte já parecia suficientemente forte para tornar o aluno um tanto perturbado, enquanto a segunda parte deixaria a dúvida sobre a veracidade dos fatos. O que aconteceu é o que se segue: Continuar lendo

As caixas de sementes

27 As caixas de sementes

Resolvi um dia
não parecer mais sentimental.
Peguei os meus medos
e guardei em uma caixa azul.
Peguei minhas desilusões
e guardei em uma caixa vermelha.
Peguei minhas frustrações
e guardei em uma caixa branca.
Peguei minhas derrotas
e guardei em uma caixa preta. Continuar lendo

Medeia – Eurípides

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Segundo a lenda grega de Jasão e os Argonautas, o navio Argo carregado de heróis chegou a Cólquida com a missão de roubar o Velocino de Ouro. A filha do reino de Eetes, porém, se apaixonou por Jasão e o ajudou a realizar sua missão. Para isso ela teve o sangue frio de trair seu reino, matar o pai e o irmão (o que mostra o poder devastador das paixões). Fugiu então no navio com o herói grego para Corinto. Tal filha era Medeia, uma poderosa feiticeira e vítima de si mesma.

Eurípides, em sua tragédia “Medéia”, conta os acontecimentos após o retorno da Cólquida. Ele narra a vida da feiticeira, agora esposa de Jasão, na cidade de Corinto. Lá Jasão safadinho conseguiu permissão do rei Creonte (o mesmo cuja ascensão ao trono é mostrada em Édipo Rei) para desposar a princesa Glauce. Apesar de saber que se trata de um casamento político, naturalmente Medeia não gostou da ideia. Devido a sua fama como feiticeira e aos enormes e longos insultos que profere contra o marido, o rei e sua familía, Creonte decide bani-la com seus dois filhos, a fim de evitar ser vítima de alguma bruxaria mortal. Ela porém, já havia tramado o fim de todos eles.

Medeia se mostra, contudo, um ser auto-destrutivo. Em busca de se ver livre de deboches e escárnios, ela opta por matar também os filhos, para proteger-lhes a honra. Durante o processo de decisão, o autor mostra aos espectadores da tragédia uma Medeia conflitante consigo mesma. Em certo monólogo ela muda de opinião várias vezes, sempre se justificando e se fortalecendo de argumentos. Acredita antes que deve matar os filhos para vingar-se de Jasão, mas ao sofrer com a ideia decide poupá-los, até que resolve tirar-lhes por fim a vida pois foi ela quem lhes deu-a. Percebe-se nesse ponto da tragédia o estado de perturbação mental em que Medeia está, corroída exageradamente pelos ciúmes e pela indignação. A história traz consigo, dessa forma, a ideia de que o mal que possamos cometer contra os outros pode ser também nossa própria ruína.Euripides

Eurípides tem uma biografia divergente, pois a maioria das fontes para traçar a história do tragediógrafo informa datas e dados diferentes. Algumas o colocam como filho de um taverneiro, outras como alguém de elevada condição social. Ele viveu na época de ouro da cidade de Atenas, mas foi morar posteriormente na Macedônia, onde morreu. Escreveu quase uma centena de peças, mas somente dezessete sobreviveram por completo ao tempo. Graças a ele foi introduzido no teatro grego a ideia do prólogo, para situar a plateia sobre os acontecimentos; bem como o famoso Deus Ex Machina, recurso que consiste em, durante uma situação aparentemente sem solução, inserir um novo personagem, evento ou objeto capaz de resolver os problemas.

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O Grande Hotel Budapeste (2014)

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Em geral, boas comédias são aquelas que nos arrancam diversas risadas escandalosas. Esse, porém, não é o caso de “O Grande Hotel Budapeste”. O longa metragem de 2014 consegue ser engraçado de uma forma requintada, sutil e irônica. O filme utiliza de um humor que apela para a simetria e para os detalhes, não para as grosseiros clichês da comédia. Reforçando isso está a própria forma de filmar, com tomadas estáticas como um mordomo ou com cenas imensas nas quais se observa de longe a ação acontecer. Continuar lendo