
Lobo da Noite – Parte III
Ouvi o badalar do sino da torre do relógio, eram nove horas. Provavelmente o velho já deveria estar dormindo. Testei a porta: trancada. Peguei um par de espetos e ganchos de metal e, silenciosamente, comecei a tentar destrancá-la. Foi então que aconteceu algo assustador. De alguma forma as velas dos candelabros se apagaram simultaneamente, a porta se destrancou e, em meio a escuridão, vislumbrei por entre uma fresta da porta, que se abria sozinha, a lua cheia se exibindo pela sacada do quarto. Cortinas rasgadas balançavam através da porta e encobriam as bordas da lua em movimentos oscilantes. Entrei abaixado no quarto e vi uma grande cama no centro, rodeada por guarda-roupas e cômodas. Não havia, no entanto, ninguém dormindo na cama mas percebi uma sombra do lado de fora, na ampla sacada. Esgueirando-me, aproximei da porta e vi que ali havia uma pessoa. Não parecia um velho, mas sim um jovem de não mais do que um quarto de século de vida. Apoiava-se numa bengala fina com a mão direita e olhava para baixo. Os cabelos longos e pretos refletiam a luz da lua enquanto alguns fios ondulavam. Questionei-me se ele seria realmente a minha vítima, pois tivera outras expectativas quanto a idade. Contudo havia seguido corretamente as instruções: passado do primeiro edifício, da torre do relógio e chegado ao quarto com um lobo na porta. Não restava duvidas. Tinha de ser ele! Continuar lendo →