
Mente aberta
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Resposta



Encontrei certa vez um homem
que me entregou uma carta lacrada,
ele disse “que existem pessoas que somem
e que aparecem qual ressuscitadas”.
Pediu-me que lhe fizesse um favor
seus olhos frios recusavam qualquer não.
Pediu que o encontrando, em sala ou corredor,
deveria a carta entregar com afeição.
Diante de tamanho misterio ou loucura
aceitei prontamente o ajudar.
Pensei que o que ele tinha não tinha cura,
ou que era eu que precisava me tratar.
Tempos depois bateu-me a porta de casa
o mesmo homem de gravata borboleta.
Perguntou-me então com os olhos em brasa,
afoito e vermelho, fazendo careta.
“Boa tarde, amigo”, disse primeiro.
“Procuro saber da casa abandonada ao lado.”
“Que me diz do seu vizinho?”, emendou rasteiro.
Mas eu nada sabia sobre o estranho sobrado.
“Mas tenho algo seu que me foi confiado”, afirmei.
Entrei e procurei até afinal encontrar a carta.
“Está mais amassada do que quando guardei,
mas entrego antes que ele parta”.
Ele a olhou com muita atenção
abrindo-a vi sua sobrancelha arquear
e lendo-a sorriu como criança amável.
Apertou por fim minha mão
e disse que a mim a carta tornaria a entregar
num tempo por mim inalcançável.

Un Cuento Chino é uma comédia argentina de 2011. Escrito e dirigido por Sebastian Borensztein, o filme conta a história de Roberto (Ricardo Darín), dono de uma loja de ferragens. Em certo dia, porém, ele vê descer de um táxi, empurrado contra o chão, um chinês (Ignacio Huang). O asiático havia sido roubado pelo taxista e abandonado no meio fio sem saber falar uma única palavra de espanhol. Sangrando, ele se aproxima de Roberto, que não compreende nada de chinês. O dono da loja de ferragens se apieda do misterioso chinês e decide ajudá-lo a chegar a um endereço que ele tatuara no braço antes de sair da China. No caminho, passando pelo endereço (cujo dono se mudou), pela delegacia e por um bairro chinês, eles procuram o antigo morador do endereço tatuado.
Na embaixada chinesa Roberto consegue, graças a um interprete, conversar com o chinês. Lá ele descobre o nome dele – Jun – e que ele procura um tio, que fora o antigo dono do endereço. Até a conclusão da história, entretanto, muitas coisas engraçadas acontecem entre os dois.
Essa música é baseada em uma do jogo Piratas do Caribe de 2003. Na época eu havia comprado o jogo motivado pelo lançamento do filme. Joguei, zerei, mas… as músicas eram muito boas para ficarem só no jogo.

No “Mar de Santa Inês”, quadro que fiz baseado em uma das imagens do jogo.

Haikai é um tipo de poesia curta e metrificada que surgiu no século XVI. Foi muito difundida no Japão, sendo o monge japonês Matsuo Basho um de seus maiores expoentes no período Edo. A ideia desse tipo de construção poética é uma representação contemplativa da vida, buscando representar em apenas 3 linhas uma cena ou momento.
Já é primavera:
Uma colina sem nome
Sob a névoa da manhã.
– Matsuo Basho (1644-1694) Continuar lendo

Adoro a franquia Castlevania, principalmente os jogos de exploração. Já Castlevania X Dracula Chronicles, lançado para PSP como um remake do Castlevania Rondo of Blood de PC Engine, espelha-se nos jogos clássicos da série para o console Nintendo. Continuar lendo

Lobo da Noite – Parte II
Pouco tempo antes do completo pôr do sol, despertei. Havia cochilado encostado em um tronco. A neve e o vento haviam cessado. Deixei Apra próximo as árvores e, em meio as sombras, caminhei em direção ao castelo. Estava todo escuro, com exceção de uma única janela com luz no último andar do edifício mais alto. Encontrei parte do muro que estava mais destruída, a escalei e olhei para o pátio. Estava coberto de neve, mas completamente vazio. Desci com cuidado por uma escada de pedra e, agachado, atravessei o patio margeando a muralha. O portão principal estava fechado e vazio quando passei por ele. Foi então que surgiu luz em algumas janelas. Cheguei a um dos edifícios, mas a porta também estava fechada. Continuar lendo


Dedico a vós, tão altiva ciência
tais versos que iluminados pela arte
se vejam afastados da demência
que nas musas gregas se faz mais que parte.
Tamanho conhecimento nunca se viu
que pudesse a ti rivalizar.
Mas tambem nunca fora tão frio
um modo racional de pensar.
Rigida como o ferro,
desenvolve-se feito vapor.
Assim que posso eu cerro
oleos e engrenagens no motor.
Magistral guia do homem
se não um de seus refugios maiores.
Fez-se, porem, de abdômen
que devorou todos os arredores.
Tornastes tão fértil terreno
mas por vezes, de conter-se, incapaz
corrompendo tal qual um veneno
os valores e sonhos que amais.
Criaram para ti dogmas vários
que insistem em negar e cuspir.
Tu buscas agora os indícios
que independem de quem deve cair.
Tornastes para alguns um alívio,
um vício e mesmo uma muleta.
Para outros cresce em santo e lívio,
religião com nova silhueta.
Suas pesquisas sempre certas
e de orgulhos mil, cheia.
Cientistas feito profetas,
Nas indústrias fazem a ceia.
O fim que buscava, esquecido.
Por alguns resgatado, mas feito risível.
Ajudar do velho ao recem-nascido
sem se julgar infalível.
Tenho, porém, fé em ti.