Crônica de um suicida

11 Crônica de um suicida

Por ruas repletas
de mentes desertas,
as sombras incertas
se tornam completas.

Fazendo-se ausentes,
amigos presentes.
Assim mesmo tu mentes
sorrindo entredentes.

Sentindo sozinho,
sem o próprio ninho,
cercado de vinho.

A mente vazia,
A carne tão fria.
Noutra moradia.

Terrores Noturnos

Fiz esse texto há um bom tempo, só agora tive coragem pra postar. Espero que gostem:

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E novamente me encontro nas terras de Morfeu, lugar estranho e ao mesmo tempo aconchegante. Sinto os sonhos perfurarem minhas entranhas e dominarem todo meu ser, sinto que talvez não devesse mais acordar, que somente o mundo dos sonhos me basta para viver e ter o amor que quero e não terei.

Venha, Sonho, e me abrace. Quero me aconchegar em seus braços. Peça para Orfeu cantar para mim e com a sua lira acalme este coração tempestuoso. Peço que retire a mágoa e a insanidade que se alojam em minha alma, pois já não suporto mais essa tortura. Jamais me libertarei dessa sina? Continuarei sempre amando, e sempre me magoando? Sempre saindo com coração dilacerado, triturado e perfurado?

Continuarei então aqui, no mundo do sonhar. Visitarei locais por quais jamais passarei novamente, visitarei lugares que sempre vou e visitarei a minha amada, passarei pelos campos verdejantes e pelos mares mais tempestuosos e nada me abalará. Visitarei Caim e Abel, para perceber como meus pecados são pequenos comparados aos deles.

Quero a redenção, mas eu só encontro ela no sonhar, acho que é melhor ficar por aqui. Talvez seja o melhor. Assim não perturbarei mais as pessoas com meus ideais distorcidos e minhas idéias diferentes. Talvez eu deva virar residente no castelo de Morfeu e dar um fim nisto. Mas então acordo e percebo que tudo não passava de alguns terrores noturnos. Agora é só me levantar e continuar a sonhar acordado, pois é isso que fazemos e nada mais.

 

Encontre-me no “Verde do Violinista”, para lá nos amarmos.

Se fosse o Chico

10 Se fosse o Chico

Pensava muito mais em ir ver um Clássico
Saía caminhando se achando Místico
Não se importava mais em ser só um Cínico
Cantava no coral como se fosse Lírico

Achava que melhor mesmo era ser um Físico
Mas temia descobrirem que era só um Mímico
Quando ficou doente se tornou mais Mórbido
Morreu sem respirar como se fosse Tísico

Pensava muito mais em ir ver um Místico
Saía caminhando se achando Físico
Não se importava mais em ser só um Mímico
Cantava no coral como se fosse Tísico

Achava que melhor mesmo era ser um Clássico
Mas temia descobrirem que era só um Mórbido
Quando ficou doente se tornou mais Cínico
Morreu sem respirar como se fosse Lírico.

“Tentava escrever como se fosse o Chico.”

Eleanor Rigby

Adoro as músicas dos Beatles e uma das minhas favoritas é Eleanor Rigby. Simples, relativamente fácil e grandiosamente bonita, essa obra prima da banda inglesa tinha partitura disponível na internet. Baixei, aprendi, toquei, gravei. Aí está o resultado. Fica a dica para os meus amigos Thomas Kentish e Bianca Mazzoni, The Beatlemaniacs.

O Dia do Curinga – Jostein Gaarder

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Alguns meses atrás ganhei um livro de presente: O Dia do Curinga, escrito por Jostein Gaarder. Terminei finalmente de lê-lo essa semana e, para mim, se trata não apenas de uma grande obra do mesmo autor de “O Mundo de Sofia”, mas também de um dos livros mais esclarecedores sobre a vida, o universo e tudo mais – num sentido não-Douglas Adams.

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Dogville (2003)

Dogville-capaOs filmes têm muitos elementos que os definem e, a partir deles, é possível analisá-los e avaliá-los. Ocasionalmente, alguns diretores artistas tentam inovar alterando tanto a forma quanto o conteúdo desses elementos. Em “Dogville”, dirigido e escrito por Lars von Trier, a inovação é a forma de mostrar o ambiente. No filme os cenários são mínimos.

Semelhante ao teatro ou mesmo mais minimalista, o longa-metragem se passa na cidade de giz chamada Dogville, tão pequena que todos se conhecem e não há prefeito, polícia e tudo é resolvido por votação. A história possui um prólogo aonde são apresentados os moradores e nove partes. Há uma loja, uma igreja, uma mina e casas na cidade, povoada por um povo simples e que se mostra muito bondoso. No primeiro capítulo surge Grace (Nicole Kidman), uma bela mulher da cidade que está fugindo de gangster. Ela encontra Tom (Paul Bettany) e pede ajuda a ele para fugir, ao que ele responde oferecendo para deixar Grace morar na cidade e se esconder lá. Temendo que algum morador resolva entrega-la a polícia ou aos gangster, Tom, em reunião com os habitantes, propõe que Grace fique na cidade ajudando quem precisar por duas semanas. Terminado esse tempo, eles fariam uma votação para decidir se ela poderia ficar lá ou se seria mandada embora.

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Durante alguns capítulos Grace é muito bem tratada pela minúscula população. Mas o objetivo do filme, segundo von Trier, é que “evil can arise anywhere, as long as the situation is right” (o mal pode surgir em qualquer lugar, contanto que na situação haja o bem). Em algum tempo os moradores passarão a criticar e abusar do trabalho de Grace que, não podendo fazer nada contra eles, se resigna. Surge então um terrível dia em que uma criança, deixada aos cuidados de Grace, começa a implorar para que ela o castigue, agredindo-o. Ela sabe que a mãe não aceitaria tal tratamento mas, ameaçada pela criança de fingir um espancamento, ela cede. Em pouco tempo surge um fazendeiro, pai da criança, que afirma ter chamado a polícia e que, caso Grace queira que ele fique em silêncio, não deve resistir aos avanços dele. Esse, porém, é só o começo.

Em algum tempo, todas as mulheres da cidade maltratam Grace e abusam de seu trabalho, enquanto todos os homens, exceto Tom, a estupram. E tudo em troca do silêncio com o qual todos concordaram. Há uma parte em que Tom oferece para pegar dez dólares emprestados com o pai para que ela possa subornar o dono da caminhonete a levá-la escondida para outra cidade. O motorista, durante o percurso, afirmando que há muitos policiais na estrada e que há muitos riscos exige mais dela, abusando dela na traseira da caminhonete. Algumas horas depois a lona da carroceria é removida e ela se vê em Dogville novamente. Lá o dono do veículo afirma que ela se escondeu sem o consentimento dele, e ela ainda é acusada de roubar dez dólares do pai do Tom.

Eles prendem ao pescoço de Grace um sino e uma corrente, presa a uma roda de ferro que ela é obrigada a arrastar. O que mais me irritou nessa parte foi o fato de Tom, quem deu o dinheiro para ela, convencer todos que ela, e não ele, roubou a nota. O impressionante é que ele usa de vários argumentos estúpidos, frutos de uma lógica fraca e débil, para se justificar. Grace, nesse momento, é incapaz de argumentar contra ele e afirma que o ama. Ele diz que também a ama (embora ele sabia dos estupros e abusos mas preferiu não falar).

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Devido a toda a tensão gerada pela desconfiança em Grace, durante uma reunião dos moradores, decide-se vendê-la aos gangsters. E é nessa parte que eu vou parar de falar sobre a história.

Os cenários são compostos por paredes desenhadas no chão, portas imaginárias e alguns itens de mobília. Talvez o objetivo dessa “experiência” tenha sido focar nos personagens, sem permitir que o ambiente distraia quem assista ao filme.

Houve críticas a “Dogville” devido a ideia de uma mensagem anti-norte-americana. Isso, para este autor que vos fala, é uma grande besteira. Lançado em 2003, o filme dinamarquês recebeu treze prêmios na Europa e mesmo no Brasil.

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Nome original: Dogville.
Duração: 178 minutos.
Ano: 2003
Nota:

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Que fiz para merecer?

9 Que fiz para merecer

Que fiz para ganhar
Calor? Amor? Ardor?
Que fiz para sentir
Furor? Rubor? Sabor?

Que fiz para ver tudo
por essa doce lente?
Que fiz para sentir
tudo azul atraente?

Triste em horas felizes,
horas inesquecíveis,
em momentos tão mágicos.

É que nascem hemorrágicos
e morrem insensíveis
deixando cicatrizes.

Ensaio n.1 em C#m

Há muito tempo pensei em gravar sessões aleatórias de piano, somente brincadeiras, testes e ensaios. Essa é a primeira que fiz, embora só esteja postando agora (meses depois). O primeiro dessa série Ensaios, leva o “vazio” como tema. Inspirado na solidão do espaço, como se estivesse flutuando entre estrelas há anos-luz de distância, sendo que algumas delas nem mesmo existem mais e são somente reflexos do passado.