O Cavalo de Turin (2011)

“Em Turin, no dia 3 de janeiro de 1889, Friedrich Nietzsche deixa a residência no número 6 da Via Carlo Alberto, talvez para dar um passeio, talvez para ir até o correio para recolher sua correspondência. Não longe dele, ou realmente bastante longe dele, um cocheiro tem problemas com seu cavalo teimoso. Apesar de sua premência, o cavalo resolve empacar, o que faz que o cocheiro – Giuseppe? Carlo? Ettore? – perca a paciência e comece a chicoteá-lo. Nietzsche avança até a multidão e põe um fim ao brutal espetáculo do cocheiro, que está espumando de raiva. O forte e bigodudo Nietzsche repentinamente pula na carroça e abraça o pescoço do cavalo, soluçando. Seu vizinho o leva para casa, onde ele fica deitado por dois dias, imóvel e silencioso, em um divã até que finalmente murmura suas últimas palavras: ‘Mutter, ich bin dumm’ (‘Mãe, eu sou idiota’). Ele vive ainda por 10 anos, meigo e demente, sob os cuidados de sua mãe e irmãs. Do cavalo… nada sabemos.”

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“O cavalo de Turin”, filme dirigido por Béla Tarr, é uma produção húngara que teve estréia no 61o Festival de Filmes de Berlin, em 2011. O longa metragem narra o que acontece com o cavalo, bem como com o cocheiro e sua filha ao longo de seis dias. A história se passa em uma fazendo seca castigada por um vento forte, frio e incessante. Há somente um estábulo, um poço e a casa.

O filme tem como foco a rotina do homem e de sua filha. Ele depende da ajuda dela para muita coisa, inclusive para se vestir, pois possui um braço que é incapaz de se mover. Ela tem de lavar as roupas, cozinhar, buscar água no poço e costurar. Em meio a essa vida dura, vários fatos importantes acontecem a cada dia. Primeiro o cavalo fica doente e se nega a puxar a carroça, impedindo o homem de trabalhar. Em outro dia surge um amigo dele que procura aguardente para comprar e, no tempo que fica na casa, fala sobre a destruição da terra e do fim do mundo. Utilizando uma linguagem denunciativa, ele culpa Deus e os homens pela desgraça no mundo, além de defender ideias com inspiração nas obras de Nietzsche. Mais um dia se passa e surge uma carroça de ciganos para comprar água, pagando com um livro que a menina tenta ler com dificuldade. Em algum tempo, porém, o poço seca e a família se vê forçada a mudar.

Em suas mais de duas horas de duração, com pouca iluminação e em preto e branco, “O Cavalo de Turin” se mostra um filme cansativo, arrastado e focado principalmente na rotina. Muitas das cenas acontecem mais de uma vez. Exemplo disso é a filha ajudando o pai a se vestir, o que ocorre quase todos os dias, bem como ela tirando a água do poço ou ambos sentados a mesa comendo batatas cozidas com sal. É a arte imitando a vida em seus momentos mais lentos e comuns. Justamente por isso chega a ser tedioso no seu desenrolar. O filme retrata bem a dureza da vida pobre, sem opções, sob constantes ameaças da natureza e dos homens e que, de forma arrastada demora a passar, tornando o sofrimento ainda mais penoso. É perceptivelmente artística a obra, não tendo como objetivo o próprio filme, mas sim o que ele é capaz de evocar em quem assiste.

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Nome original: A torinói ló
Duração: 146 minutos
Ano de lançamento: 2011
Nota:

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Saudades, Adeus

8 Saudades, Adeus

Somente hoje, professora da vida
Ensina-me os segredos da cidade,
Pois agora eis que já sinto saudade
Dessa tão remota lição esquecida.

Quero mais é voltar aos tempos de outrora
De tão alegres reuniões divertidas.
Não quero ir e nem que tu vás embora,
Mesmo que sinta cheiro de partida.

Não posso pedir mais que tua amizade
A verdade, companhia e teu sorriso
Eis que quatro vira cinco, já é tarde.

Se vê-me fraco ou forte, pouco importa
Pois teu olhar, indiferente, impreciso
Expulsa-me, frio e calado, ao abrir a porta.

Antes da Sombra

Em 2010 eu fazia aulas de sintetização musical com um amigo e professor, Vitor Morel. Na época era comum que ele me desse algum dever (alguma música com certas restrições) que eu deveria fazer para a próxima aula, onde iríamos ouvir e ele iria opinar sobre os pontos fortes e os fracos. “Antes da Sombra”, porém, mal chega a ser uma música, contando apenas com duas partes breves.

Infelizmente, em 2013, meu amigo Vitor Morel faleceu. Fica aqui a minha homenagem a ele, não só na forma de palavras, mas também de música. Usei para a gravação o software com o qual ele me dava as aulas. Totalmente diferente das músicas que postei antes, deixo agora, antes da sombra, que o sintetizador fale por mim.

Vamos falar de arte urbana

Olá meu nome é Wagner , sou estudante de artes visuais e esse vai ser meu primeiro Post espero que gostem.

Recentemente tive em contato com um filme chamado  chamado “Cidade Cinza” onde a prefeitura de SP resolveu iniciar uma política de limpeza urbana, na qual os muros da cidade seriam pintados com a cor cinza de forma a apagar as intervenções, por isso eu queria falar um pouco sobre grafitti que é um tipo de arte a qual eu tenho paixão, mas não sobre o filme que é só a linha de pensamento que me fez escrever esse texto introdutório a um artista que conheci recentemente que desenvolve um trabalho incrível : (mas fica a recomendação de filme )

Alexandre Rato 

Na ultima quarta feira tive o prazer de conhecer o artista pessoalmente e posso afirmar a humildade tipica de artistas que vem da  rua com fortes influencias do grafitti e cultura Hip Hop o que o torna um artista mais acessível pela proximidade com as ruas, não é impossível encontra-lo  por ai agitando latas com a molecada simplesmente pelo prazer de estar ali, ele também atua em coletivos como o “Quartoamado” que é um conjunto de artistas que desenvolveram uma galeria pra exposições de artistas independentes  por que pra artistas como eles a coletividade e união é tudo , o mais curioso desse tipo de artista é a facilidade criativa e o domínio de praticamente qualquer material , por isso a desculpa de: “eu não tenho dinheiro pra fazer um trabalho legal com bons materiais” nunca vai ser aceita . Ele trabalha com folhas velhas de papel , guardanapo, livros , pintura, desenho,etc.

Foi meio breve mas em escreverei mais assim que puder , deixarei o trabalho dele falar por uma linguagem que eu não consigo descrever.

Flicker Alexandre Rato

trilha sonora do filme “Cidade Cinza”

Melancolia (2011)

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Melancolia é um filme de 2011, dirigido e escrito por Lars von Trier, que narra os últimos momentos de duas irmãs. Contando com uma excelente produção visual, o longa metragem é do tipo que, após assistir, ficamos encarando os créditos sem conseguir desligar a televisão ou o computador. O filme é tão envolvente como a própria trilha sonora, composta basicamente pelo prelúdio da ópera “Tristão e Isolda” de Richard Wagner, que transborda o próprio nome: melancolia.

Um planeta, denominado Melancolia foi avistado no céu e, em sua trajetória, ele poderá colidir com a Terra. Dividido em duas partes, a narração aborda primeiro Justine no dia do seu casamento. Ela se comporta de forma estranha, estando extremamente tranquila ao chegar atrasada, importando-se mais com cavalos do que com os convidados e mesmo preferindo tomar um banho a ir, com o noivo, partir o bolo de casamento. Agindo de forma totalmente antissocial, ela acaba por incomodar as pessoas que fizeram tanto para que o seu casamento pudesse ocorrer, causando certo desconforto e insatisfação. A personagem mostra-se apreensiva, como se soubesse algum segredo mas é incapaz de contar a qualquer um. O medo é visível na excelente atuação de Kirsten Dunst, embora a personagem nesse ponto mostre-se extremamente irritante.

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Em seguida, acompanhamos Claire, irmã de Justine. Ela mora com o marido e com o filho em uma grande chácara com um castelo. Justine vai passar algum tempo lá, pois parece ter ficado muito doente. Chegando lá ela é bem recebida pela irmã que faz tudo por ela, embora o marido pense que isso seja um mal exemplo para o filho, ainda criança. Com o tempo, porém, Justine passa a ficar mais calada. Andando a noite no escuro, escondida, quase resignada com a vida. Nesse ponto o trabalho dos efeitos visuais se mostra soberbo, ao colocarem, junto com a lua, o planeta Melancolia no céu. Inicialmente Claire se prepara para o pior, comprando veneno para que possam morrer rapidamente caso o planeta realmente colida com a Terra. Melancolia, entretanto, indiferente e brilhante como uma lua cheia azul, se torna cada vez maior no céu. A interpretação de Charlotte Gainsbourg é natural e espontânea, simplesmente fantástica.

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O filme é sem dúvida uma obra de arte, mas cujo sentido só é percebido ao final. Questões como medo da morte e egoísmo podem ser percebidas no desenrolar da trama. A ideia para o longa metragem surgiu com um momento depressivo na vida de Lars von Trier, escritor e diretor, e quando esse imaginou que pessoas deprimidas permaneceriam calmas em situações estressantes. A Melancolia não se intimida, e mostra o quão pequenos somos comparados ao universo que nos rodeia, mostrando-se soberba perante a possibilidade de que bilhões ou trilhões de vidas de repente se calem como se uma sinfonia houvesse bruscamente acabado.

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Nome original: Melancholia
Ano de lançamento: 2011
Duração: 136 minutos

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Para dois amores que nunca amei e por quem nunca fui amado

7 Para dois amores que nunca amei e por quem nunca fui amado

Sinto a frustração de um ser partido
Me parece um fúnebre sonho
Em solidão estou caído
Acho tudo enfadonho

Um pesadelo dentro de si mesmo
Um sonho que adentra um outro sonho
Um vazio que se faz contínuo
Meu ser divaga medonho

Mais uma desilusão que
do futuro logo estende
os seus frios longos braços

toca o passado e
sente presentes,
sombrios traços.

Supernova

Quando o tema para essa música surgiu, ele precisava de algo magistral. “Supernova, O Nascimento do Sol” amanheceu contando com uma orquestra digital de qualidade, os melhores instrumentos que pude conseguir até então. Apesar de eu estar postando hoje, compus as faixas dessa música em novembro e dezembro de 2013, contando ainda com os conselhos do meu amigo Raphael Prazeres (o mesmo do Blues do Youtube). Tentei me inspirar na temática espacial. Algo meio galáctico, com luas orbitando em uma perfeita sinfonia colossal de luz. Entre instrumentos de sopro, corda e metais, esse é o resultado.