

Esse final de semana, mais precisamente sábado, visitei a exposição “A Magia de Escher” no Palácio das Artes, Belo Horizonte, MG. Apesar das várias horas na fila, gigantesca devido ao fato de ser o penúltimo dia de exibição da obra do artista holandês, a espera valeu a pena. Havia duas salas com as obras de Maurits Cornelis Escher, estando ambas, no dia, lotadas. Mas mesmo com a disputa para ver as ilustrações, filmes e objetos foi possível ficar estupefato com tamanha criatividade usada para concebê-los.
Escher nasceu em 1898, na Holanda. Desde pequeno teve muito envolvimento com trabalhos manuais, em especial com madeira. Estudou na Escola de Arte do Haarlem e logo ao formar, em 1922, mudou-se para a Itália e lá realizou as maiores obras de sua carreira. Passou anos fazendo viagens pelo país e desenhando paisagens. Tornou-se fascinado pela divisão regular do plano, formas simétricas e entalhe. Entretanto, ele ficou mais conhecido por suas ilustrações paradoxais, retratando arquiteturas impossíveis de serem concebidas no mundo tridimensional. É muito comum em seus trabalhos o conceito de infinito, simultaneidade, contrastes, jogos de sombras e metamorfose. O artista faleceu em 1972.
É interessante reparar que várias de suas ilustrações bebem da geografia italiana, mesmo aquelas que não são unicamente paisagens. Castovalva, Atrani, Barbarano são apenas algumas das regiões retratadas pelo holandês. Algumas são litogravuras, enquanto outras são xilogravuras, produzidas a partir de entalhes em placas de madeira.
Dos trabalhos de Escher, os que achei mais interessantes são: Autorretrato em esfera (1935), que me deixou intrigado quanto a originalidade em fazer um auto retrato distorcido pela convexidade de uma esfera; Metamorfose 1 (1937), uma grande evolução por meio de figuras que se transformam gradativamente e acabam voltando ao ponto inicial; Dia e Noite (1983), que me lembrou muito o contraste presente em tantas de suas obras, metaforizado em uma especie de jogo de xadrez, luz e sombra; Eye (1946), que ao menos para mim remete a ideia de que estamos a olhar para a morte o tempo todo; Other World (1947), uma obra fantástica com diversos ângulos de um mesmo poço espacial; Drawning hands (1948), a clássica imagem das mãos que se desenham; House of Stairs (1951), que estando povoada por simpáticos seres distorce os conceitos de posição e a gravidade, sem distorcer a luz; Relativity (1953), que se assemelha muito a Casa das Escadas; Print Gallery (1956), que é uma espécie de Inception; o famoso Belvedere (1958); Flatworms (1959), só por causa das audaciosas planárias (!!); Devils and Angels (1960), que me pareceu uma boa forma de representação do contraste, bem como do maniqueísmo; o também famoso Waterfall (1961), que dispensa comentários; e Moebius Strip II (1963), que chamou-me muito a atenção pela conceito do infinito, representado literalmente.

Atrani, Coast of Amalfi 1931

Autorretrato em esfera, 1935

Other World, 1947

Eye, 1946

House of Stairs, 1951

Flatworms, 1959

Waterfall, 1961
Outro ponto alto da exposição é a interação com obras que remetem aos conceitos explorados por Escher, tal como o infinito. Parece simples conseguir o infinito: bastam dois espelhos bem posicionados, mas não deixa de ser divertido. Havia também uma representação da sala do artista, igual a do “Autorretrato em esfera”, que foi reproduzida não somente em tamanho como também em textura, semelhante aos traços da ilustração. Logo, toda a mobília da “sala de Escher” era manchada de preto e branco assim como na ilustração. Havia inclusive uma esfera metálica para que o visitante fizesse a mesma posição do autor.
Tendo a exposição acabado, as obras, muitas assinadas pelo próprio artista, voltarão para a Fundação M. C. Escher na Holanda, onde permanecerão quatro anos para conservação. Sem dúvida valeu esperar as duas horas na fila. E felizmente a fila não era uma ilustração do holandês, do contrário, certamente seria também infinita.