Quero ser John Malkovich foi um dos filmes mais ousados e profundamente filosóficos que eu já assisti. O longa-metragem é de 1999 e trata de uma temática que vem sendo pensado e repensado na filosofia e, acredito, até na psicanálise.
Tudo começa com uma cena incrível de uma marionete que expressa a agonia do ser humano ao se reconhecer. Isso tem total ligação com quem puxa os fios: Craig Schwartz, desempregado, deslocado do mundo, infeliz e, talvez causa disso, artista. Lotte, sua esposa, parece estar muito dedicada a causas externas, cuidando de diversos animais – incluindo um chimpanzé com úlcera estomacal devido a um trauma de infância. Craig apanha na rua por representar com marionetes, algo tido como infantil, uma história triste com momentos que remetem a movimentos sexuais. Isso foi a gota d’água. Ele decide arrumar um emprego e vai a LesterCorp, um escritório localizado entre o sétimo e oitavo andar de um prédio de Nova Iorque. Ao chegar lá, várias loucuras acontecem: todo o andar tem o teto baixo a ponto de todos precisarem andar curvados, a secretária do Sr. Lester é incapaz de entender qualquer coisa que Craig fale, o Sr. Lester tem plena convicção de que ninguém entende uma palavra do que ele fala e uma documentário – após a admissão de Craig no escritório – mostra que o andar 7 e meio fora construído para que uma mulher, provavelmente uma anã, não se sentisse inferiorizada. Lá ele conhece Maxine, uma bela e fútil mulher por quem ele se apaixona. Continuar lendo