Da existência do átomo

Vários são os assuntos escolares de ensino médio principalmente que estudei que me fizeram pensar e não decorar. Certo, talvez não tenham sido tantas assim… Fato é que li há algum tempo atrás uma apostila para pré-vestibular e revi, no inicio da matéria de Química, um texto sobre Demócrito. Em resumo, o filósofo grego acreditava que se um pedaço de metal fosse dividido em partes cada vez menores, seria encontrada uma partícula microscópica indivisível que manteria as propriedades do metal original. Átomo, do grego, indivisível, foi o nome dado por Demócrito a essa partícula incrivelmente pequena.

Ao terminar de ler o parágrafo que explicava o modelo atômico do filósofo grego, sublinhei a palavra átomo pela simples vontade de sublinhar uma palavra. De preferência, a mais importante palavra ou frase no parágrafo que havia acabado de ler. Então encarei a palavra: Átomo, entre aspas. Comecei a imaginar o que Demócrito poderia ter pensado ao elaborar semelhante afirmação. De certa forma, fez sentido pra mim na hora e eis que exponho aqui minha absurda conclusão. E se ele estava parcialmente certo?
Absurdo! Platão e Aristóteles foram contra a hipótese átomica, como poderiam eles estarem errados? Na verdade, esses renomados filósofos erravam com frequência ao explicar os fenômenos que tentavam compreender. Evidente que suas conclusões faziam sentido em suas respectivas épocas e nem sequer havia forma de tais gregos serem mais precisos. Mas a ciência descobriu mais. Dalton nos apresentou a ideia da bola de bilhar. Thomson nos presenteou com seu saboroso modelo do pudim de passas. Rutherford, Millikan, Crookes… Todos ergueram os alicerces e hoje são os pilares que levaram aos ‘dogmas’ científicos de que o átomo (indivisível) é divisível. Porém, para mim parece óbvio que existe realmente um átomo, literalmente indivisível – para ser redundante em duas línguas diferentes.

Imaginemos uma coisa qualquer. Não importa o que seja, basta ser algo físico, que tenha massa. Dividamos em duas partes o objeto até chegar ao nivel do átomo. Agora divida o átomo ao meio. Parece meio estranho, certo? Então vamos dividir o número de protons ao meio. Restando um único próton, dividamos ele também. Sabe-se que um próton é constituído de três quarks. Seria possivel dividir um quark? Se sim e continuassemos a dividir, o que aconteceria? Teoricamente, chegariamos a uma particula ou onda indivisível que não manteria nenhuma propriedade da materia que ela, ‘inconscientemente’, constitue. Qual seria essa partícula ou onda indivisível? Anteriormente foram os elétrons, prótons e neutrons as particulas elementares. O fato é que, deve haver um real átomo indivisivel, do contrário, continuariamos a dividir indefinidamente e quando a quantidade de divisões tendesse ao infinito, também as partes que foram separadas tenderiam ao infinito (duas vezes infinito na verdade, já que cada divisão resulta em duas partes). É obvio pensar que nada pode ser infinito (não abordarei nenhuma questão teológica aqui), a menos que nossos sentidos não consigam considerá-lo, vê-lo ou compreendê-lo. O interessante é pensar se isso pode ser de fato alcançado. Seria o quark o átomo literalmente? Ou será que, um dia, descobrirão a tão minúscula partícula ou onda constituinte de tudo: átomos, ondas, energia, etc… A grande minúscula particula constituinte de todo o universo. Mesmo que não faça sentido (ou mesmo se fizer), não consigo deixar de me espantar com tais possibilidades.