Quero ser John Malkovich (1999)

Quero ser John Malkovich foi um dos filmes mais ousados e profundamente filosóficos que eu já assisti. O longa-metragem é de 1999 e trata de uma temática que vem sendo pensado e repensado na filosofia e, acredito, até na psicanálise.

Tudo começa com uma cena incrível de uma marionete que expressa a agonia do ser humano ao se reconhecer. Isso tem total ligação com quem puxa os fios: Craig Schwartz, desempregado, deslocado do mundo, infeliz e, talvez causa disso, artista. Lotte, sua esposa, parece estar muito dedicada a causas externas, cuidando de diversos animais – incluindo um chimpanzé com úlcera estomacal devido a um trauma de infância. Craig apanha na rua por representar com marionetes, algo tido como infantil, uma história triste com momentos que remetem a movimentos sexuais. Isso foi a gota d’água. Ele decide arrumar um emprego e vai a LesterCorp, um escritório localizado entre o sétimo e oitavo andar de um prédio de Nova Iorque. Ao chegar lá, várias loucuras acontecem: todo o andar tem o teto baixo a ponto de todos precisarem andar curvados, a secretária do Sr. Lester é incapaz de entender qualquer coisa que Craig fale, o Sr. Lester tem plena convicção de que ninguém entende uma palavra do que ele fala e uma documentário – após a admissão de Craig no escritório – mostra que o andar 7 e meio fora construído para que uma mulher, provavelmente uma anã, não se sentisse inferiorizada. Lá ele conhece Maxine, uma bela e fútil mulher por quem ele se apaixona. Continuar lendo

Clube de Compras Dallas (2013)

Tememos o que não conhecemos e isso nos faz elaborar meios de conhecer.

Clube de Compras Dallas é um filme norteamericano sobre a forma como Ron Woodroof encontrou de lidar com o HIV e com a AIDS, ajudando outros portadores. A história começa mostrando um pouco da vida de Ron Woodroof, cheia de drogas, bebida, apostas e mulheres. Ron parece o típico machão bêbado, que tem sempre que estar certo e parece não estar acostumado a pensar. Ele sofre um acidente e, após ter o sangue examinado no hospital, os médicos descobrem que ele é HIV positivo. Na época em que se passa a história, 1985, não havia medicamentos comprovadamente eficazes para o tratamento da AIDS. O AZT estava sendo testado pelo FDA naquelas pesquisas com placebo-droga, em que algumas pessoas recebem placebo e outras a droga em si. Continuar lendo