Escrever

Acho estranho poder escrever algo, transmitir um sentimento ao texto e depois ler e recordar o mesmo sentimento. Para mim é muito recorrente uma sensação ao ler algo que escrevi: repulsa. Nada do que escrevo e leio posteriormente considero bom. As vezes isso me causa frustração, pois existem tantos escritores bons que produzem textos que aprecio francamente. Porém, não consigo apreciar nenhum texto que escrevo. Seria eu um mal pai? Escrevo e idealizo meus filhos projetando neles minhas emoções. Emoções que às vezes desprezo, às vezes me dão orgulho. Mas depois, saem todas as linhas tortas e sem sentido, pouco coesas, tal qual filhos problemáticos precisando de orientação. Revejo assim meu sentimento transcrito em palavras e, praticamente sempre, o critico. Entretanto, se são filhos difíceis, me faria um bom pai ajudá-los a se resolverem? Talvez. Logo, tento melhorar o texto, dar-lhe uma impressão melhor. Mas até hoje nunca me dei por satisfeito e me questiono se realmente serei capaz de redigir algo que goste de ler depois.

Uma hipótese que explica esse desgosto é a de que, um texto é bom para mim se ele é desconhecido e, ao lê-lo, vou o conhecendo e percebendo suas nuances, desvendando-o. Quando escrevo, em geral, tenho tudo na cabeça e lá parece tudo melhor. Em seguida, ao ler o que escrevi, me parece que perdi tempo digitando ou escrevendo aquelas parcas linhas. Esse texto é um exemplo. O construí, li, reorganizei algumas ideias mas continuo não gostando dele. Não sei porque ainda insisto em não apagá-lo. Desculpe, texto.