
Melancolia é um filme de 2011, dirigido e escrito por Lars von Trier, que narra os últimos momentos de duas irmãs. Contando com uma excelente produção visual, o longa metragem é do tipo que, após assistir, ficamos encarando os créditos sem conseguir desligar a televisão ou o computador. O filme é tão envolvente como a própria trilha sonora, composta basicamente pelo prelúdio da ópera “Tristão e Isolda” de Richard Wagner, que transborda o próprio nome: melancolia.
Um planeta, denominado Melancolia foi avistado no céu e, em sua trajetória, ele poderá colidir com a Terra. Dividido em duas partes, a narração aborda primeiro Justine no dia do seu casamento. Ela se comporta de forma estranha, estando extremamente tranquila ao chegar atrasada, importando-se mais com cavalos do que com os convidados e mesmo preferindo tomar um banho a ir, com o noivo, partir o bolo de casamento. Agindo de forma totalmente antissocial, ela acaba por incomodar as pessoas que fizeram tanto para que o seu casamento pudesse ocorrer, causando certo desconforto e insatisfação. A personagem mostra-se apreensiva, como se soubesse algum segredo mas é incapaz de contar a qualquer um. O medo é visível na excelente atuação de Kirsten Dunst, embora a personagem nesse ponto mostre-se extremamente irritante.

Em seguida, acompanhamos Claire, irmã de Justine. Ela mora com o marido e com o filho em uma grande chácara com um castelo. Justine vai passar algum tempo lá, pois parece ter ficado muito doente. Chegando lá ela é bem recebida pela irmã que faz tudo por ela, embora o marido pense que isso seja um mal exemplo para o filho, ainda criança. Com o tempo, porém, Justine passa a ficar mais calada. Andando a noite no escuro, escondida, quase resignada com a vida. Nesse ponto o trabalho dos efeitos visuais se mostra soberbo, ao colocarem, junto com a lua, o planeta Melancolia no céu. Inicialmente Claire se prepara para o pior, comprando veneno para que possam morrer rapidamente caso o planeta realmente colida com a Terra. Melancolia, entretanto, indiferente e brilhante como uma lua cheia azul, se torna cada vez maior no céu. A interpretação de Charlotte Gainsbourg é natural e espontânea, simplesmente fantástica.

O filme é sem dúvida uma obra de arte, mas cujo sentido só é percebido ao final. Questões como medo da morte e egoísmo podem ser percebidas no desenrolar da trama. A ideia para o longa metragem surgiu com um momento depressivo na vida de Lars von Trier, escritor e diretor, e quando esse imaginou que pessoas deprimidas permaneceriam calmas em situações estressantes. A Melancolia não se intimida, e mostra o quão pequenos somos comparados ao universo que nos rodeia, mostrando-se soberba perante a possibilidade de que bilhões ou trilhões de vidas de repente se calem como se uma sinfonia houvesse bruscamente acabado.

Nome original: Melancholia
Ano de lançamento: 2011
Duração: 136 minutos
