
Madame Tutli-Putli
Sem dúvida um dos curtas mais malucos que eu já vi. Basicamente acompanhamos uma mulher, carregada de diversas malas e pertences, em uma viagem de trem. O final é inesperado e acho que não mostra de uma forma clara o que realmente os roteiristas queriam fazer. É um stop-motion de Chris Lavis e Maciek Szczerbowski e que conta com uma belíssima e diversificada trilha sonora. Detalhe para os olhos dos bonecos, que achei extremamente realistas e profundos. Madame Tutli-Putli tem os olhos mais tristes possíveis.
A melhor interpretação para a história, na minha opinião, é o comentário de uma garota chamada Gabriela Muñoz, feito na página do vídeo. De acordo com ela as malas simbolizam as possessões que insistimos em carregar; os homens jogando xadrez que nunca fazem nenhuma jogada representam a indecisão e por aí vai. Como tem spoilers, não postarei o comentário aqui. Admito que caso os elementos não sejam representações metafóricas, a trama não se satisfaz e nem mesmo faz sentido.
Rain Town
“Nessa cidade, desde quando ninguém sabe, a chuva nunca parou. Os moradores mudaram-se para os subúrbios e os terrenos altos ao redor. As memórias das pessoas estão profundamente submersas. Mas nessa esquecida cidade chuvosa, algumas vezes, alguém vagueia.”
“Rain Town” é um curta feito como trabalho de graduação em algum curso da Universidade Seika de Kyoto. A animação é muito bela, com traços tão sutis e cenários tão lindos que chega a ser melancólica. A ambientação é em uma cidade abandonada e destruída, sob chuva constante e com alguns robôs abandonados que por ela ainda vagam. A trilha sonora conta com um piano cujas teclas parecem tocar ao ritmo de uma chuva suave, gotas caindo ocasionalmente. Belíssima.
Destaque para as músicas “Old Capital” e “Candle”, de Masafumi Komatsu.
Metroid: The Sky Calls
Curta-metragem independente de 2015 produzido pela Rainfall, “Metroid: The Sky Calls” é um protótipo do filme que todo jogador da série Metroid estava esperando. Para quem não conhece, Metroid foi uma saga de video-games de ficção científica que teve início com o jogo homônimo de 1986 para o velho Nintendo. Desde então já foram lançados cerca de dez jogos que trazem a mesma protagonista: Samus Aran em sua icônica armadura. A história de Samus, uma caçadora de recompensas que luta contra os Piratas Espaciais, é incrivelmente triste. Antes ela morava com os pais em uma colônia humana mas, após um ataque do bandido Ridley e dos seus Piratas, que assassinam sua família, ela foge. Após esse evento traumático, ela é adotada pela raça dos Chozo.
Samus, no curta, recebe uma mensagem dos Chozo e começa a procurá-los em um planeta inóspito. É um live-action com muitos efeitos especiais e uma animação em 3D digna dos filmes de Hollywood, trazendo ainda consigo a fidelidade aos jogos que todos os fãs da série gostariam que fosse respeitada.