Reconforta-me.
Destitui de mim uma árdua tarefa inocente,
um verdadeiro peso de quinhentas e setenta e nove toneladas.
Intriga-me sua irracionalidade,
sua falta de lógica
e sua coerência tão fina e finamente arquitetada com todos os mundos.
Faz de mim um Asclépio ignorado.
Soa em dissonância com o restante que distoa
em uma valsa de erros infindáveis.
Reconforta-me.
Dá-me esperança de que será feita a justiça,
de que a alegria prevalecerá,
que tomaremos banhos em endorfinas com aroma de maçã.
Mas não gosto de maçã tanto assim.
Que posso fazer senão esperar?
Que o fim não seja apenas o buraco negro.
O vazio atroz e silencioso.
Ou o retorno arbitrário comandado pelos amnésticos.
Reconforta-me.
Conforta-me.
Reconforta-me.
Tememos o que não conhecemos e isso nos faz elaborar meios de conhecer.


Drive, filme de 2011, é uma verdadeira pancada de realidade. Já havia muito tempo que eu não via filmes com gangsters e sentia aquela sensação de que lugar nenhum é seguro. Drive trouxe isso de volta.
Durante anos eu vi o anúncio de Corpo Fechado que passava no SBT quase toda sexta-feira, mas nunca assisti. Enfim lembrei desse assunto não resolvido e decidi assistí-lo. O filme trazia nos anúncios algo sobre um homem que era o único sobrevivente de um acidente de trem. Acho estranho que as propagandas sempre falavam dessa parte, que não chega a ser a primeira meia hora do longa-metragem de 2000.