Eternidade

Reconforta-me.
Destitui de mim uma árdua tarefa inocente,
um verdadeiro peso de quinhentas e setenta e nove toneladas.
Intriga-me sua irracionalidade,
sua falta de lógica
e sua coerência tão fina e finamente arquitetada com todos os mundos.
Faz de mim um Asclépio ignorado.
Soa em dissonância com o restante que distoa
em uma valsa de erros infindáveis.

Reconforta-me.
Dá-me esperança de que será feita a justiça,
de que a alegria prevalecerá,
que tomaremos banhos em endorfinas com aroma de maçã.
Mas não gosto de maçã tanto assim.
Que posso fazer senão esperar?
Que o fim não seja apenas o buraco negro.
O vazio atroz e silencioso.
Ou o retorno arbitrário comandado pelos amnésticos.

Reconforta-me.
Conforta-me.
Reconforta-me.

Clube de Compras Dallas (2013)

Tememos o que não conhecemos e isso nos faz elaborar meios de conhecer.

Clube de Compras Dallas é um filme norteamericano sobre a forma como Ron Woodroof encontrou de lidar com o HIV e com a AIDS, ajudando outros portadores. A história começa mostrando um pouco da vida de Ron Woodroof, cheia de drogas, bebida, apostas e mulheres. Ron parece o típico machão bêbado, que tem sempre que estar certo e parece não estar acostumado a pensar. Ele sofre um acidente e, após ter o sangue examinado no hospital, os médicos descobrem que ele é HIV positivo. Na época em que se passa a história, 1985, não havia medicamentos comprovadamente eficazes para o tratamento da AIDS. O AZT estava sendo testado pelo FDA naquelas pesquisas com placebo-droga, em que algumas pessoas recebem placebo e outras a droga em si. Continuar lendo

Morte-Certa: o primeiro dia

Era o ano de mil setecentos e cinco de Nosso Senhor, ou algo aproximado de tal data. A água estava fresca a beira do córrego. Parecia tímida quando corria, mas voraz quando espirrava nas pedras cujas pontas apareciam ao longo do percurso. Um homem se agachara a margem, olhando ao redor. Tirou uma bolsa de couro presa a uma cinta que cruzava o seu tronco. Desarrolhou-a e mergulhou-a na água. Bolhas e espuma surgiram, mas foram logo levadas pela correnteza. Ele fez o mesmo com outros três cantis que segurava. Um a um ele os encheu. Fazia calor ao redor do rio e tudo que se ouvia era o barulho da água corrente. Continuar lendo

Batman: The Killing Joke (2016)

Admiro o trabalho de Alan Moore, embora não tenha escrito resenhas para nenhuma das adaptações do trabalho dele. Moore é um escritor de livros e histórias em quadrinhos, além de ser uma figura bastante enigmática. Em 1988 ele escreveu uma história com os personagens Batman e Coringa, ilustrada por Brian Bolland, que foi publicada pela DC Comics. Recentemente, em 2016, a história foi adaptada para o DC Universe Animated. Continuar lendo

Ano novo! 2018 vai ser melhor!

Acho que está mais difícil para todos nós aqui manter um número muito alto de postagens no Arte em Progresso. Infelizmente os projetos pessoais tem demandado cada vez mais de nós. Tanto para mim e para o Navarra no trabalho, como para o Eric, para o Miguel e para o Imants na faculdade.

Mas já conversamos sobre isso e vamos tentar postar coisas interessantes, mesmo que seja algo curto, uma opinião corrida, um desenho rabiscado ou uma atualização desses jogos do Eric que parecem querer dominar o blog.

Um ótimo ano para nós todos! Rumo a mais arte em progresso!

Os Estranhos Casos do Prof. Samuel Dumont

Aproveitando para mudar um pouco o foco da criatividade, resolvi tentar algo diferente de simplesmente continuar com o Ultima Mensagem. Resolvi fazer então um jogo parecido com o Reigns, da Devolver, mas que ainda mantivesse a ambientação de terror inspirada em Lovecraft. Não que eu não tenha tentado outros projetos nesse intermédio, mas este foi um que conseguiu ser promissor. A grande questão agora é: por que Samuel Dumont?

Continuar lendo

Ultima Mensagem II e um novo projeto

Depois de um bom tempo sem publicar nada aqui, finalmente tenho notícias sobre a continuação do Ultima Mensagem. Assim como já anunciei dentro do primeiro jogo, a continuação já está em desenvolvimento. Ainda estou escrevendo a história e garanto que vai ficar bem maior que o primeiro. Enquanto isso, resolvi trabalhar em outro projeto de jogo, também baseado nos contos de H. P. Lovecraft, e que já está quase finalizado. Continuar lendo

Drive (2011)

Drive, filme de 2011, é uma verdadeira pancada de realidade. Já havia muito tempo que eu não via filmes com gangsters e sentia aquela sensação de que lugar nenhum é seguro. Drive trouxe isso de volta. Continuar lendo

Se essa rua fosse minha

Ouvi na rua um coral cantando essa música. Isso foi há alguns meses, próximo do Natal de 2016, e na época eu lembrei de como “Se essa rua fosse minha” parece estar associada a minha infância, mesmo não sabendo quando ou como a ouvi. Bastou pouco tempo para pensar em gravar uma versão com o swing do jazz. E, não sei ao certo por que, me pareceu obrigatório incluir uma parte com o som daquelas antigas caixinhas de música (as vezes porta-jóias) que tocavam uma canção simples e monofônica assim que ganhavam corda.

Corpo Fechado (2000)

unbreakable-posterDurante anos eu vi o anúncio de Corpo Fechado que passava no SBT quase toda sexta-feira, mas nunca assisti. Enfim lembrei desse assunto não resolvido e decidi assistí-lo. O filme trazia nos anúncios algo sobre um homem que era o único sobrevivente de um acidente de trem. Acho estranho que as propagandas sempre falavam dessa parte, que não chega a ser a primeira meia hora do longa-metragem de 2000. Continuar lendo