Pecar e Perdoar – Leandro Karnal

Assisti uma série de vídeos no canal do Café Filosófico CPFL no YouTube sobre os pecados capitais, sendo alguns deles apresentados por Leandro Karnal. Os 7 vídeos explicam cada um dos sete pecados capitais, sua história e sua ressignificação no mundo contemporâneo. Mas não bastava o material online, logo descobri um livro sobre o mesmo tema.

“Pecar e Perdoar: Deus e o homem na história” foi escrito por Leandro Karnal e lançado em 2014. A princípio pode parecer uma dissertação indiferente, do ponto de vista de um historiador ateu, sobre como perpetuamos os chamados pecados capitais na atualidade. Sobre como a religião nos impõe regras e nos faz sofrer, por exemplo. Levou algum tempo para eu perceber que projetava no autor a minha própria insatisfação com a religião, embora eu não seja ateu. Mas vamos ao livro. Karnal explica os pecados, um a um, ressaltando sua importância não apenas no cristianismo, mas também no judaísmo e no islamismo, contrastando inclusive a alguns conceitos de outras religiões.

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Janela Indiscreta (1954): a mórbida curiosidade de espiar os vizinhos

Janela Indiscreta é um filme de 1954 dirigido por Alfred Hitchcock. Originalmente baseado em um conto de 1942, a história acompanha Jeff, um fotógrafo em repouso para recuperação de uma perna quebrada. Confinado a uma cadeira de rodas em seu apartamento, Jeff começa a se espiar pela janela os vizinhos em suas casas.

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Cowboys e Aliens (2011): um herói inesperado

Cowboys e Aliens é o tipo de filme que eu achei que nunca assistiria. O título parecia tão absurdo e forçado que eu pensava ser uma perda de tempo. Só recentemente que eu percebi que quem estava no filme era ninguém mais, ninguém menos que Harrison Ford. Tudo bem que o grande nome nos créditos é o Daniel Craig, mas ele não é o Han Solo. Por fim, assisti ao longa metragem e percebi que valeu realmente a pena. Digo em seguida o motivo.

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O Mago e o Guerreiro – Diogo Ramos

O Mago e o Guerreiro é um livro digital, escrito pelo autor Diogo Ramos, na forma de dez contos. Eu não havia lido a sinopse e simplesmente baixei o livro na Amazon e fui ler. Praticamente uma cartilha, tem menos de 100 páginas e pode ser lido em pouco tempo. Os contos narram uma caravana, cruzando o deserto, em que um guerreiro, fascinado por contar histórias, conhece um mago versado na arte de escrever.

Ao longo dos contos, vemos acontecimentos intercalados entre os mundos que se passam na mente do Guerreiro e suas batalhas reais ao proteger a caravana de assaltantes enquanto cruza o deserto. A trama é bem amarrada, fantástica – muitas das vezes de forma impressionante – e um grande pano de fundo para os reais própositos do autor: dicas e perspectivas sobre a arte de escrever, sobre as quais não apenas o Guerreiro tem lições, mas nós também. Continuar lendo

Call of Cthulhu (2005)

The Call of Cthulhu é um filme independente, mudo, em preto e branco, que eu estava guardando para assistir quando estivesse com vontade de ver filmes antigos. Mas algo nas datas mostradas na abertura me chamaram a atenção. O filme foi feito em 2005, embora seja incrivelmente semelhante às produções do início do século passado.
Ele conta uma história narrada por um homem a um policial, entregando à autoridade todo o conhecimento que seu tio-avô antes dele e ele reuniram sobre uma religião misteriosa, com adoradores cultistas que praticam sacrifício humano. E mais ainda, sobre relatos de pessoas que enlouqueceram ou ficaram perturbadas ao ver uma suposta divindade dessa religião. Continuar lendo

A Espada do Destino – Andrzej Sapkowski

A Espada do Destino é a continuação que veio antes de O Último Desejo, de Andrzej Sapkowski. O livro segue o bruxo Geralt (de Rívia, mas que na realidade não nasceu em Rívia) em mais uma série de contos no mundo de The Witcher (que eu traduzo carinhosamente como “O Bruxoso”). Desta vez os contos são maiores do que no livro anterior. Continuar lendo

Perdido em Marte (2015)

Perdido em Marte é um filme de ficção científica de 2015, baseado no livro homônimo, mas que tenta ser menos ficção e mais científico. Numa linha semelhante a Interestellar, o longa metragem possui aquele enredo fantástico, mas que apela para artifícios científicos no intuito de mostrar-se plausível. E, para mim, leigo nessa loucuras, soou bastante plausível na maioria das vezes.

Embora a tradução literal fosse O Marciano, a história é sobre um botânico que fica preso em Marte, enquanto a tripulação humana da nave onde ele veio parte de volta para a Terra. Lá ele vai fazer de tudo para sobreviver, o que inclui usar combustível para fazer água, e mesmo plantar batatas em marte. Os detalhes de como isso é possível, o protagonista, Watney, explica em seu diário gravado na solidão de ser o único habitante em todo o planeta. Usando do conhecimento em tecnologia, biologia e tantas outras áreas, ele desenvolve meios de se comunicar com a Terra, de provar que não morreu e de planejar o próprio resgate. Continuar lendo

Doutor Estranho (2016)

Doutor Estranho é mais um filme de super-heróis. Talvez eu esteja assistindo a filmes demais desse tipo mas, enfim… por ser um filme da Marvel e não ser uma sequência, eu já sabia que tinha grandes chances de ser bom. Mas os fatores que mais aumentaram minhas expectativas foram dois: primeiro, o elenco. O genial Benedict Cumberbatch, o não tão expressivo Mads Mikkelsen e a ambígua Tilda Swinton certamente não estariam juntos a toa. Em segundo lugar, a temática já não é mais sobre superpoderes, dinheiro ou tecnologia. O que confere o “super” aos heróis é uma transcendentalidade para outros mundos, além do visível ou da compreensão, escondido em frente aos olhos de todos. Essa mística pareceu inovar, trazendo uma conexão com o oriente, diferente da mística dos deuses nórdicos de Thor (que não tem muita mística, é basicamente descer a marreta).

A história centra-se em um neurocirurgião arrogante e frequentemente certo sobre tudo, mas que tem seus instrumentos de trabalho (suas mãos) lesionados por um acidente de carro. Ele vai buscar métodos convencionais e não convencionais para se curar, apelando mesmo para o que a ciência desconhece e desconsidera. Nesse caminho ele vai acabar no meio de uma briga por poder entre o vilão e sua nova mestra. Continuar lendo

O Jardim das Palavras (2013)

Já falei aqui sobre outras animações japonesas e, praticamente sempre, elogiei a estética dos longa-metragens orientais. Com “O Jardim das Palavras” (originalmente “Koto no ha no niwa”) não poderia de jeito nenhum ser diferente. O curta de 2013 (relativamente curto, melhor dizendo) é um verdadeiro deslumbre de cores e movimentos, reflexo e refração, para os olhos.

Ele conta uma história aparentemente casual, entre um adolescente de 15 anos e uma mulher de 27, que começam a se encontrar nas manhãs chuvosas em um parque. Antes de mais nada, isso não é pedofilia, continue lendo. Vamos, continue… Isso. Eles se encontram lá e começam a conversar, inicialmente como dois desconhecidos, que por acaso estão próximos em um local público, mas o tempo vai amadurecendo essa amizade até que anseiem cada vez mais pelo próximo encontro. Por que? Basicamente por se sentirem bem na presença um do outro, sem as cobranças que eles sentem vir de outras pessoas. O jovem é Takao Akizuki, que tem o sonho de criar sapatos. Isso é bem incomum, eu diria. Ele não quer fama, poder, riqueza, ser jogador de futebol… ele quer fazer sapatos. Já a mulher é Yukari Yukino, uma fugitiva de sua própria vida, faltando ao trabalho, com problemas pessoais que parecem vir de um relacionamento passado e quem sabe o que mais. Ela não fala muito de si. Continuar lendo