Pokémon: Detetive Pikachu é um filme de 2019 inspirado na franquia japonesa de Pokémon. Embora seja um longa-metragem praticamente norte-americano, a presença do Japão não foi white-washed como em tantos outros filmes. O filme trata da mesma temática do Ad Astra (que eu já falei aqui no site): a busca pelo pai. Entretanto, de uma maneira mais apropriada para o público infanto-juvenil e, naturalmente, mais como comédia do que como tragédia.
Continuar lendoO Castelo de Otranto – Horace Walpole
O Castelo de Otranto é um livro de Horace Walpole publicado em 1764. Considerado o título inaugural do gótico como gênero literário, a obra trata de um castelo velho e misterioso, que não é só o cenário da trama mas também o motivo de sua contenda.
Continuar lendoDo sapiens ao auctor: a escrita como atributo humano
A comunicação é uma habilidade que transformou a vida no nosso planeta. Através de gestos e expressões corporais, os mamíferos conseguiram passar informações valiosas como, por exemplo, se havia algum predador por perto. Essa nova habilidade, que foi melhorada ao longo dos milênios, se tornou vital para a nossa sobrevivência e para o estabelecimento de uma sociedade. Sem comunicação, não tem como você avisar ao seu chefe que não poderá ir trabalhar, pois acordou com uma gripe. Sem comunicação não é possível marcar o rolê com os amigos. Não é possível nem mesmo ver o final daquela série que você tanto gosta.
E, dentre as diversas formas de se comunicar, temos a escrita. Apesar das eras evolutivas à qual presenciou, ela ainda continua com o seu objetivo inicial: passar adiante uma informação. Já parou para pensar no quão arbitrária é uma linguagem? Símbolos e formatos que tiveram origem em idiomas que hoje nem são mais praticados — como o caso do latim — ainda estão presentes na mensagem que você envia para sua mãe dizendo que vai visitá-la no fim de semana. Isso é algo que me fascina.
Carl Sagan, uma das pessoas que passou por esse pálido ponto azul que eu mais admiro, disse uma vez que os:
“livros quebram as algemas do tempo — prova de que a humanidade é capaz de fazer magia”.
Carl Sagan
Pare um pouco de ler esse texto e pense nessa frase. Consegue captar o poder dela? Através da escrita, o Homo sapiens consegue escrever algo e transportar essa mensagem para um tempo no qual ele próprio não existirá. O autor morre, mas não sua ideia. Se essa fosse a única vantagem da escrita, para mim já justificaria o seu uso. Porém ainda há mais.
Muito mais.
A escrita pode ser usada para causar revoluções. Se você prestou vestibular depois de 2010 tem uma boa chance de ter ouvido falar da primavera árabe. Essa foi uma revolução que começou na Tunísia para derrubar um regime ditatorial que já estava há 24 anos no poder. A onda de protestos se espalhou por vários países, dentre eles a Líbia, Egito e Síria. E o que isso tem a ver com a escrita? Tudo. Os protestos ganharam força através do compartilhamento de informações através das redes sociais. Era a escrita ajudando a moldar a geopolítica mundial.
Ok, imagino que, se você não era ume entusiasta da escrita antes de ler esse texto — o que é pouco provável, já que é um texto sobre a escrita —, talvez eu já tenha conseguido que você goste um pouquinho dela com esses exemplos. Mas ainda não acabou! Guardei o melhor para o final. Falta colocar a cereja do bolo, fechar com chave de ouro.
Para mim, a característica mais sublime da escrita, aquela que a eleva a uma posição de ser venerada, é o seu não comprometimento com a realidade. Em outras palavras, a ficção. Romancistas, poetas e poetisas, comediantes e dramaturgues estão há centenas de anos nos presenteando com as mais belas histórias — ora tristes, ora alegres — sobre dragões, princesas, bruxos e assassinos. Estão falando com uma parte nossa muito específica: a imaginação. Conseguem pegar os mesmos símbolos que podem ser usados em uma sentença em um tribunal para contar uma história de amor. Escritories têm essa habilidade de pegar muitas palavras que usamos no nosso cotidiano e moldá-las ao seu bel-prazer para criar uma civilização que habita Titã (a maior lua de Saturno) ou um casal apaixonado que foge no meio de uma selva de um ataque de mariposas selvagens. Com a escrita, tudo é possível. Dá para desperta amor, ódio, felicidade, tristeza e por aí vai.
E se você acha que precisa de uma história longa para despertar essas sensações, dê uma olhada nesse microconto:
“Tempo. Inesperadamente, inventei uma máquina do.”
Alan Moore
Seis palavras. Nada mais. Cada uma delas cumprindo um papel essencial para causar o efeito que o autor queria. Prefere algo mais impactante? Que tal esse outro?
“Uma vida inteira pela frente, o tiro veio por trás.”
Cíntia Moskovich
Não precisamos ler livros com mais de mil páginas para sentir a magia que a escrita traz. Óbvio, se quisermos, podemos, mas a escrita é tão linda e tem um poder tão grande de despertar sentimentos, que, com 10 palavras, a Cíntia conseguiu nos fazer sentir pena desse alguém que levou o tiro. Não sabemos nem se é uma pessoa, um cachorro ou uma barata. Não importa, o sentimento existe.
Essa é maior virtude da escrita.
Ela nos desperta e nos torna mais humanos.
Olá, aqui é o Rafa ^^
Essa foi a minha primeira contribuição aqui para o Arte em Progresso! Trarei um texto novo quinzenalmente para você (sempre às quartas-feiras) falando um pouco sobre essa arte maravilhosa que amo tanto! Espero que você goste!
O que você achou desse conteúdo?
Ad Astra e Casos de Família
Ad Astra é um filme de ficção científica lançado em 2019 e que conta a história de um filho em busca do pai. Embora a trama ocorra dentro de uma temática espacial, com viagens interplanetárias que se aproximam muito do científico, o foco do filme é o emocional de um homem que perdeu a figura parental para as estrelas.
Continuar lendoSonic e o poder da Internet
Quando criança eu adorava jogar os jogos do Sonic. Era só correr e pular, não tinha que saber inglês ou japonês para entender a história. Para mim, com cerca de 10 anos de idade, era o ideal. Os desenhos do Sonic eu também fazia questão de assistir na televisão e as vezes até gravar em VHS. Já a ideia de um filme… Bom, eu posso até me considerar um entusiasta, mas não tenho muita certeza se gostaria de ver um filme do ouriço azul.
Continuar lendoHorror em Amityville – Jay Anson
Horror em Amityville é um livro escrito por Jay Anson e publicado em 1977, baseado em fatos duvidosos, e que serviu de inspiração para toda a série de filmes de terror de Amityville. A história acompanha os cerca de vinte e oito dias da família Lutz, que se mudara recentemente para uma casa que compraram barata e onde uma chacina acontecera previamente.
Continuar lendoDragonHeart, Amor e Contradição
DragonHeart de 1996 ficou famoso por diversos motivos. Seja pela inovação em efeitos especiais (nomeada até pela Academia) ou pela história cativante, o filme fez um sucesso praticamente inesperado. No entanto, não é sobre exatamente esse filme que eu queria falar.
Continuar lendoA Mentira em Parasite e The Good Liar
A mentira nos filmes é geralmente algo fácil de se julgar de um aspecto moral. Vemos alguém mentindo e conseguimos perceber os motivos, julgamos, condenamos ou propomos outras saídas que não passassem por esse caminho. Na vida real, muito antes de perceber nossos motivos, sentimos. A mentira então fica mais complicada, com causas e consequências cozinhando num caldeirão, sem que saibamos de forma alguma qual será o sabor dessa sopa. Vi recentemente dois filmes que tratam da mentira de formas diferentes e com impactos distintos.
Continuar lendoBaby Driver e a fuga
Baby Driver é um filme norte americano de 2017 que aborda o desenvolvimento moral na jornada de Baby, um idealizado motorista de fugas, capaz de praticamente tudo atrás de um volante. O filme é de um polimento técnico tão singular que praticamente é por isso que é reconhecido atualmente como um bom filme. A história de crime e suspense foi boa o suficiente para emplacá-lo entre sucessos, mas a sincronia da trilha sonora e longos planos sequencia é que realmente brilharam sobre o tapete vermelho dos críticos.
Continuar lendoEsfinge – Robin Cook
Esfinge foi o livro de aventura que eu precisava no final de 2020. Vivendo as rotinas hospitalares no trabalho, sem brechas para algo diferente (além de uma pandemia), encontrei nesse pequeno impresso de mais de 20 anos atrás uma fuga que não decepcionou, inclusive no nível de cliché que eu aceito.
Continuar lendo









